Um dia inteiro sem carros, ora aí está uma coisa diferente! Chega-se cá de comboio, qual cena retirada do Spirited Away, vindos de Nordeste.
A primeira imagem é imediatamente positiva e corresponderá às expectativas:
- coisas bonitas: check
- água: check
- barcos: check
- uma catrefada de turistas: check
Segui pacatamente a estrada apinhada de gente enquanto sorvetava um sorvete, até que me deu a panca para virar à esquerda a meio e ver mais qualquer coisa.
Dei por mim a andar mais à vontade enquanto seguia uma pequena manada de turistas que aparentavam estar munidos de uns mapas a P/B com um percurso marcado a verde "quero passar no exame relendo apenas isto". Com o Wisdom of Crowds em acção fui vendo uma data de coisas bonitas: igrejas, canais aquosos rasgados por pequenas pontes, ambulâncias a todo o gás e, é claro, as gôndolas para turista ver.
Acabei por desaguar perto da praça de São Marcos (placas a amarelo indicam o caminho) e lá fui ver o bicho. "Bicho" até calha bem como descrição porque a praça - bonita, vasta e acompanhada por uma torre e edifícios também interessantes - estava MINADA de pombos, aliás, tinha mais pombos que turistas -> algo que enquanto me estava a concentrar apenas nas pessoas (ignorando os ratos com asas) diria que não era possível.
Nem quero imaginar como é esta cidade na época alta!
Ainda sobre turistas + ratos... na praça podemos comprar milho, pelo módica quantia de 1€, colocá-lo nas nossas mãozitas e depois deixar que os pombos nos ataquem enquanto os nossos acompanhantes tiram as fotos da praxe. Como não podia deixar de ser, esta actividade faz com que a praça esteja bastante poluída. Tanto o chão, que deixa de ser um local de repouso para os backpackers, como o ar, onde levamos com razias constantes, e o ar novamente sob a forma das diferenças de pressão que se vã propagando (som para os leigos) e que têm origem nas cordas vocais das pitas que não conseguem aguentar a experiência avassaladora à qual se submetem. Felizmente as pitas são abafadas pelo som dos sinos da torre... which is Ve[ry]nice.
Se formos para sul e atravessarmos o rio ficamos novamente mais folgados e encontramos uma Veneza mais pacata, com menos gente e com os canais a partilharem alguma da sua beleza com as casas que os ladeiam. Uma Veneza mais pacata e silenciosa.
Julgo que tive uma boa Veneza. A melhor parte é mesmo deixarmo-nos embeber no ambiente enquanto usamos as pequenas pontes para ir de ilha em ilha.
A água é de um verde limpo e está acessível por degraus, polvilhados de poucos em poucos metros. Não fosse a quantidade de barcos a circular e faria o convite para um mergulho. A mim, vontade não me faltou.
Enquanto andava ia-me lembrando do "Italian Job" e analisando as habilidades de condução dos taxistas, assim como, de quando em vez a dos gondoleiros que, com apenas um remo, a dar meio de lado, lá vão orientado o passeio.
Como voltei à política de "não ver museus" dei a volta à coisa em 5h30, o que quer dizer que ainda tenho 2h30 para queimar antes da partida para Ljubljana.
Ideia brilhante: "Tenho tempo para voltar à praça de São Marcos e tirar umas fotos nocturnas pelo caminho."
Ir até foi fácil (apesar de ter demorado 40 minutos) dado que havia placas amarelas em todo o lado... voltar é que foi outra história.
Não me apercebi disso durante o dia, porque me tinha um objectivo definido, mas agora estava a ver-me à rasca.
Safei-me à conta da bússola (5€ bem gastos) e com um pouco de "seguir o fluxo de turistas" <- Isto é muito bom. Estar sozinho numa rua não é bom presságio!
Enfim... para os próximos destinos vou ter de ter em conta que:
Quem se mete por atalhos, mete-se em trabalhos!
Private para Góis, Chang e resto da malta que gosta das pizzas dobradas ou lá o que é: aqui é que são boas! :)
Nota pós-viagem: meti-me em atalhos noutras cidades com resultados/trabalhos semelhantes. :)
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